Vamos acolher a comunidade escolar, refletir e criar caminhos?

Estamos retornando às aulas imersos em um misto de sentimentos, dúvidas, necessidades e protocolos. Nesta jornada, novos caminhos foram e ainda estão sendo desenhados com cautela por todos - professores, gestores, pais e estudantes. O nosso principal desejo é que juntos possamos fazer o melhor para acolher a comunidade escolar e minimizar os impactos da pandemia na educação e em nossa sociedade.

 

Pegue sua xícara de café, chá, chocolate quente, seu refri, suco, cuia de tacacá ou de chimarrão e vamos conversar um pouco. Para começo de conversa:

 

  • Ninguém está sozinho e é importante buscar apoio e compartilhar experiências em redes locais. A RBAC tem grupos temáticos neste portal, que possibilitam trocas de ideias sobre diferentes temas de interesse, além de núcleos espalhados pelo Brasil, que são comunidades com o objetivo de facilitar a criação, adoção e aprimoramento de práticas de aprendizagem criativa, produzindo impacto na educação.

  • Professores e gestores precisam cuidar de si próprios, defender suas necessidades e as de seus alunos e garantir que haja maior conexão entre a escola, as famílias e a comunidade. Que espaços e tempos poderiam ser criados e modelados para esse tipo de cuidado, fortalecimento e reflexão? Como podemos enfrentar esse contexto refletindo coletivamente sobre possibilidades de volta às aulas que expressam consciência das questões de equidade, uma resposta atenciosa à situação atual e o compromisso deliberado para remodelar escolas que nossos alunos merecem?

  • O distanciamento é físico. Não precisa - nem deve - ser social. É importante e necessário continuar a trocar ideias, a compartilhar aprendizados e inquietações e a aprender juntos em ambientes afirmativos (reais e virtuais), desenhados para que isso aconteça com efetividade, segurança e cautela. O desenho desses ambientes e formas de interação precisa envolver toda a comunidade escolar.

  • Não voltaremos às escolas que existiam antes, sendo necessário reimaginar os espaços para aprendizagem profissional e colaboração, para interação com os colegas, com os estudantes e seus familiares.

  • Estudantes aprendem quando estão engajados em diferentes experiências de aprendizagem, e engajamento e interação precisam de ambientes que favoreçam a saúde emocional e social para acontecer. Então, como a comunidade escolar poderia se mobilizar para a construção desses ambientes?  Qual é a principal necessidade da comunidade onde a escola está inserida?

  • Mesmo com o distanciamento físico, é importante pensar em formas de promover momentos livres com oportunidades de convívio social na comunidade escolar, que podem favorecer o desenvolvimento de competências como relacionadas ao repertório cultural, à comunicação e à empatia e cooperação. Como a comunidade escolar poderia desenhar com os estudantes e familiares esses momentos livres?

  • O acolhimento sensível envolve um novo olhar para o conteúdo. Planejamentos flexíveis e com a construção colaborativa dos alunos podem trazer grandes benefícios para o processo de ensino aprendizagem, incluindo a possibilidade de currículo reduzido, porém profundo. O que é essencial no momento e como esse essencial pode ser ampliado a partir de maior integração entre as áreas de conhecimento e da exploração de múltiplos espaços de aprendizagem? Como seria uma abordagem centrada no cuidado, informada sobre a situação e os traumas e ao mesmo tempo baseada na alegria para retomar o ano letivo com os estudantes? O que podemos fazer para incentivar a leitura, a pesquisa, a exploração e a expressão criativa nas nossas experiências de aprendizagem? Quem pode nos ajudar a fazer essas transformações?

  • Ainda sobre o novo olhar para o conteúdo, atividades experienciais, baseadas em projetos, com atividades manipulativas, que trazem um novo olhar para os materiais, objetos e o espaço, podem ajudar a aprofundar o aprendizado do currículo. Podemos começar simples, a partir da nova relação do nosso corpo com o lugar onde moramos, investigando sentimentos e percepções, explorando os espaços, as características de cada ambiente, a luz, os cheiros, os objetos, como traz o projeto A Nossa Casa é Onde a Gente Está, do Instituto Tomie Ohtake e do Museu Astrup Fearnley, de Oslo.

  • O que funcionou bem no ano anterior em relação à comunicação remota e manutenção do contato com estudantes e famílias? Como essa forma de comunicação poderia ser aprimorada em conjunto com seus colegas de profissão? Pode ser algo simples como a utilização de aplicativos de redes sociais que geralmente têm acesso ilimitado em pacotes de dados, como um grupo no Whatsapp (aqui tem algumas dicas que podem ajudar) ou no Facebook da escola, ou um perfil no Instagram.

 

Tudo bem até aqui? Então, vamos seguir conversando sobre as nossas inquietações?

 

Os desafios e possibilidades do retorno presencial: como podemos desenhar ambientes que acolhem, despertam a curiosidade e o engajamento e permitem a expressão, mesmo com distanciamento físico?

 

 

Nos casos em que as aulas retornaram presencialmente, existe uma série de protocolos necessários para a manutenção da saúde coletiva. Essa nova realidade demanda cautela, imaginação e mão na massa. Como podemos imaginar um ambiente ou conjunto de ambientes que sejam acolhedores, afirmativos e centrados na alegria? Vamos pensar juntos sobre as questões a seguir? Você pode compartilhar esse momento de reflexão com outras pessoas da mesma escola para construírem coletivamente alguns caminhos possíveis de serem trilhados no seu contexto.

 

  • Começando pela sala de aula, como podemos deixá-la mais agradável, alegre e inspiradora?

  • Como criar um espaço para acolher e não ignorar o que está acontecendo? Sim, estamos vivendo uma situação muito diferente e precisamos falar sobre ela.

  • Será que podemos criar um local para os estudantes expressarem como estão se sentindo? Como ele seria?

  • E se utilizarmos música em alguns momentos?

  • Se for possível alterar a configuração das carteiras, há espaço na sala para organizar um semi-círculo?

  • De que maneiras podemos despertar nos estudantes a alegria de aprender todos os dias?

  • É possível organizar na sala ou outro espaço da escola um mural no qual os estudantes possam deixar suas grandes ideias e perguntas? Compartilhar sobre as pessoas e os personagens que os inspiram? Deixar mensagens para seus colegas?

  • Como inserir momentos de autocuidado ao longo do dia letivo?

 

Os desafios e possibilidades da realização de experiências híbridas de aprendizagem criativa

 

O Brasil é um país tão grande e tão diverso que, nesse contexto marcado por incertezas e diferenças de acesso a dispositivos digitais e à conectividade, surgiram muitos desafios e possibilidades relacionados à continuidade do acesso à educação por meio de experiências híbridas de aprendizagem.

Pensando nisso, nossa intenção é iniciar uma conversa sobre possibilidades... conversa essa que precisa de espaço para imaginarmos juntos caminhos para cada contexto, trazer nossas dúvidas, pensar brincando e criar caminhos com propósito. E aqui destacamos a importância do pensar brincando, afinal é um contexto novo, emergencial, mas que pode trazer aprendizagens para a criação de transformações a longo prazo, desde que possamos experimentar e nos arriscar sem medo de errar.

Nós iniciamos essa espiral de imaginar possibilidades e contamos com você para ampliá-la apontando o que não está adequado e adicionando outros diversos caminhos que não estão aqui. Vamos lá?

 

O que posso fazer se estiver mediando a aprendizagem criativa remotamente?

 

Existem diversas possibilidades, as quais dependem do seu contexto e dos recursos aos quais você e seus estudantes têm acesso.

 

IMAGINAR

Durante a etapa inicial da atividade, marcada pelo IMAGINAR, e se os estudantes tiverem acesso à internet por meio de computadores e smartphones, podemos explorar as seguintes plataformas:

 

  • Enviar um áudio curto via Whatsapp com esse grande convite ao imaginar e depois incentivar os estudantes a enviarem fotos dos desenhos com suas ideias.

  • Criar um mural colaborativo virtual (ver a página Caixa de Mão na Massa: ferramentas digitais) com o convite e solicitar que os estudantes compartilhem suas ideias da forma que acharem pertinente (pode ser de forma síncrona ou assíncrona): escrevendo sobre ela, postando um desenho ou uma imagem de referência, gravando um vídeo.

  • Dependendo do acesso a dados remotos, também é possível enviar um vídeo curto (ou link para acessá-lo) via Whatsapp.

  • Postar vídeos, perguntas e outros recursos que inspirem os estudantes em um ambiente virtual de aprendizagem.

  • Criar um formulário interativo na forma de uma aventura-solo para os estudantes explorarem e responderem com suas ideias.

  • Realizar uma videoconferência com os alunos e convidá-los a falarem sobre suas ideias, compartilharem um objeto afetivo, escreverem suas ideias em um mural virtual, envolverem as pessoas que moram com eles em suas apresentações...

Para os estudantes que não têm acesso à internet ou a dispositivos digitais, uma alternativa é disponibilizar uma folha (ou mais) com orientações e com espaços para que os alunos possam escrever, desenhar e fazer colagens para depois te entregarem. Podemos pensar em tornar essa forma de comunicação mais interessante, enviando uma carta, um cartão pop-up, uma mensagem secreta, e até pequenas surpresas, como uma mini dobradura ou um objeto que possa ser incorporado na folha de atividade.

 

CRIAR

Durante o mão na massa, se for um momento de criação assíncrono, podemos incentivar os estudantes a explorarem os objetos e os cômodos de suas casas de uma forma inusitada. E se eles:

 

  • Montarem instalações no quarto, embaixo da cama, usando as paredes, o quintal (se houver) e até a cozinha?

  • Encontrarem novos usos para objetos do cotidiano, como copos, colheres, almofadas, esponjas e lençóis?

  • Criarem um cantinho mão na massa ou montarem uma tenda que funcionará como seu estúdio de criação?

  • Criarem um projeto culinário?

  • Envolverem outras pessoas que moram com eles para criarem junto?

  • Envolverem os responsáveis para ajudá-los a compartilhar seus projetos em suas redes sociais ou nas da escola?

  • Criarem os projetos em plataformas virtuais de livre exploração, como o Scratch, o Minecraft ou o Tinkercad?

  • Usarem algum software ou uma página de edição para criarem um projeto gráfico ou um livro virtual interativo?

  • Criarem um projeto apenas em áudio?

  • Criarem um holograma para celular?

  • Usarem um mural virtual (ver a página Caixa de Mão na Massa: ferramentas digitais) para criar coletivamente um projeto único?

 

A forma como essas orientações e provocações chegarão aos estudantes depende muito do seu contexto e dos recursos que você e seus alunos têm acesso. Poderia ser:

 

  • Uma mensagem ou um áudio curto via Whatsapp;

  • Uma folha com orientações e um espaço para que os estudantes possam escrever, desenhar e fazer colagens para depois te entregarem;

  • Um vídeo curto postado em um ambiente virtual de aprendizagem.

 

Se for um momento de criação síncrono, podemos incentivar o mão na massa durante uma videoconferência, com criações envolvendo materiais concretos em casa ou criações virtuais - usando o Scratch, por exemplo! Olha só que legal este vídeo que mostra um exemplo de uma atividade mão na massa remota e síncrona! :)

 

 

Ah, uma coisa super importante é incentivarmos os estudantes a documentarem todo o processo de criação, seja por meio de desenhos, fotografias, registros em um diário de bordo ou diário de áudios. Além de ajudá-los a entenderem melhor o seu percurso de aprendizagem, essa documentação pode ser utilizada durante o compartilhamento dos projetos e para avaliação!

 

COMPARTILHAR

Se for o momento de compartilhar e caminhar para reflexões e conclusão da atividade, considerando os recursos aos quais os estudantes têm acesso, podemos convidá-los a escolherem a forma que se sentem mais confortáveis para compartilharem seus projetos e suas aprendizagens.

 

  • Se envolver o uso de celulares ou computadores, os murais virtuais são ótimas ferramentas, pois permitem a postagem a partir de diferentes linguagens (texto, imagem, áudio, vídeo) e oferecem espaço para que os alunos conheçam os projetos de seus colegas e interajam com eles, fazendo perguntas, deixando uma sugestão ou observação, em momentos síncronos ou assíncronos.

  • O Whatsapp também pode ajudar nessa parte, por meio do compartilhamento de fotografias dos projetos com uma breve explicação em texto ou áudio, ou ainda um vídeo curto.

  • As redes sociais, como grupos fechados no Facebook ou Instagram da turma, também podem ser uma ótima alternativa, desde haja o consentimento e acompanhamento por parte dos responsáveis e que sejam observadas questões de segurança e privacidade de acordo com a idade dos estudantes.

  • E, por que não, realizar uma videoconferência para um momento de diversão e aprendizagem? Olha só que legal este vídeo em que, depois de um momento síncrono de criação, todos os participantes colocaram seus fantoches para cantar em um sarau virtual!

 

Como dissemos, esse é o início de uma conversa sobre possibilidades. Contamos com você para ampliá-la apontando o que não está adequado e adicionando outros diversos caminhos que não estão aqui. Vamos lá? Acesse o grupo temático Volta às Aulas e compartilhe suas ideias, dicas, reflexões e inquietações sobre essas e outras questões relacionadas a sua prática educacional!