03 fev 2021

Grupo prepara guia para políticas públicas de aprendizagem criativa

A RBAC iniciou em 2020 um grupo de trabalho que tem se dedicado à reflexão e elaboração de um guia voltado para redes públicas de ensino

 

A aprendizagem criativa pode – e deve – ir além de iniciativas isoladas e ser aplicada de forma sistêmica na educação do Brasil. Acreditando no potencial dessa ideia, a RBAC (Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa) iniciou em 2020 um grupo de trabalho que tem se dedicado à reflexão e elaboração de um guia voltado para redes públicas de ensino. 

Enquanto nas formações são abordadas questões sobre como tornar a aprendizagem mais significativa e mão na massa em sala de aula, no GET (Grupo de Trabalho e Estudos) essas mesmas ideias são discutidas a partir da perspectiva de gestão, envolvendo questões de planejamento, infraestrutura, modelo para formações e financiamento.

O material de referência do GET será um documento colaborativo, com o potencial de promover impacto em escolas públicas de todo o território nacional. “Montamos um grupo com pessoas de todo o Brasil, de redes grandes e pequenas, metropolitanas e com áreas rurais, para poder acolher as diferenças”, explica Verônica Gomes, coordenadora do grupo. 

No começo do processo, foram convidados a participar os responsáveis pelos oito projetos vencedores do Desafio da Aprendizagem Criativa de 2020, assim como os 30 grupos finalistas. Dessa maneira, foram incluídos no GET professores, gestores e técnicos de secretarias de educação. 

Ainda que o guia esteja em fase de elaboração, as discussões e reflexões promovidas pelo GET já estão promovendo mudanças reais nas redes de ensino dos profissionais envolvidos. Não demorou muito tempo para que educadores de outras redes ficassem sabendo da iniciativa e se interessassem em participar. Assim, o grupo foi crescendo e atualmente, dos 116 inscritos no grupo, cerca de 40 profissionais têm participado mensalmente dos encontros virtuais

“No início, como era tudo muito novo, preferimos não abrir para todo mundo. Em junho, outras pessoas com relacionamento com redes públicas nos procuraram, por indicação de participantes, e passaram a fazer parte”, explica Verônica. Em outubro, foi feito um painel público e desde então, todos os interessados podem participar dos encontros da comunidade GET

Mesmo quando o documento com orientações para a adoção sistêmica estiver pronto, o grupo vai continuar ativo. “A ideia é ser um grupo permanente. Os participantes já estão começando a trazer propostas de outras coisas que gostariam de trabalhar, como o detalhamento de práticas”, cita Verônica. 

 

Mudanças na ponta

Os meses de trabalho do GET estão promovendo mudanças nas práticas de redes Brasil afora. A professora Claudia Meirelles, da escola de ensino fundamental Pedro Américo, em São Paulo (SP), já fazia projetos com aprendizagem criativa no laboratório de experiências digitais. Sua ambição no momento é fazer com que toda a instituição se transforme em uma escola criativa. “A ideia da adoção sistêmica é para que a abordagem pela criatividade não fique restrita a um momento, só uma aula de informática ou contraturno. Essa deve ser a experiência completa do aluno”, diz. 

Trabalhar com colegas de outros lugares do país tem sido interessante, acredita Cláudia. “No GET percebemos que não estamos sozinhos, que há outros educadores com a mesma paixão. Fiquei conhecendo projetos que dão certo, que me inspiraram e me ajudaram a pensar melhor na minha realidade”, conta a docente. Cláudia tem aproveitado para levar as reflexões do GET para seus colegas de instituição. 

A Pedro Américo, com mais de 700 alunos e 100 funcionários, tem uma proposta que visa deixar o aluno se expressar. “Somos uma escola que faz assembleias, por exemplo. O objetivo agora é integrar a paixão por aprender em todas as disciplinas”, afirma. E mesmo em 2020, um ano atípico por causa da pandemia, a aprendizagem prática foi possível. “Teve um projeto de pesquisa do 7º ano sobre a origem do povo brasileiro em que eles criaram vídeos de stop motion. Como eles põem a mão na massa, fica mais significativo”, cita Cláudia.

Da secretaria estadual de Alagoas, Ednaldo Firmino da Silva acredita que exemplos de  aprendizagem criativa compartilhados no GET acabam inspirando novas iniciativas, tendo assim um efeito multiplicador. “Quando você consegue vislumbrar as possibilidades, um vai envolvendo o outro”, diz ele, que é coordenador do núcleo para inovação da rede e gestor do Efex, um espaço de experimentação para professores. 

No caso concreto de Ednaldo, a visão sistêmica implica o esforço de levar a aprendizagem criativa para as mais de 300 escolas da rede –  já participaram de formações oferecidas pelo seu núcleo profissional de 150 escolas. “Fazemos sempre um convite; os docentes vêm por vontade própria. Para a gente engajar, tem que existir a paixão por parte do docente”, diz. 

O coordenador já vê a paixão pelo aprendizado se propagar e chegar também aos estudantes. “Todos os anos fazemos um encontro estudantil, com apresentações musicais, de curtas-metragem, de fotografia, de robótica. Em 2020, tivemos o aprendizado de fazer o primeiro encontro estudantil virtual. E a participação foi ótima”, comemora. 

*Participe do GET enviando um email para [email protected]

 

 

Autor
Porvir
Tags
Artigo
Entrevista

4 Comentários

Parabéns pelo trabalho, também quero participar, vou enviar meu email, super interessada em conhecer as reflexões do grupo. Acredito muito no uso da criatividade e sobretudo da arte no trabalho com as crianças, jovens e professores.